Entrevista: “Fizemos oposição ao prefeito até agora”, diz Simão Pedro ao Estadão
Leia a íntegra da entrevista concecida pelo deputado Simão Pedro ao jornal “O Estado de São Paulo”, em 22/01, sobre eleições 2012.
“O caminho de uma aliança com o Kassab neste momento é o mais fácil, mas não sei se é bom para o processo político que estamos iniciando.” Integrante do conselho político da pré-candidatura do ministro da Educação, Fernando Haddad, o deputado Simão Pedro (PT) verbaliza a preocupação de setores do partido com a aproxima- ção entre o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), e a direção petista, com vistas a uma possível aliança nas elei- ções na capital (no interior, as siglas já fecharam acordos)
Estadão: Como o sr. avalia a possibilidade de aliança entre PT e PSD?
Simão Pedro: Acho que interessa ao PT e ao governo federal esse racha que houve aqui. A saída do Kassab do DEM, o enfraquecimento do DEM, o racha que houve na aliança em São Paulo (DEMPSDB). Agora, fazermos uma aliança com o Kassab mesmo tendo o PT na cabeça de chapa, meu entendimento é que é ruim. Fizemos oposição ao Kassab até agora. Não à pessoa, mas ao governo. É um governo que desestruturou tudo aquilo que construímos durante a gestão da Marta (Suplicy, do PT). Ele esvaziou o papel das subprefeituras, a ideia de um governo local com mais poder de resolução dos problemas. A relação com os movimentos sociais e a sociedade civil foi muito ruim, de não diálogo. Na área da saúde, os conselhos, há muito enfrentamento. Na área de moradia. Temos políticas divergentes em relação ao centro da cidade de São Paulo, por exemplo. Acusamos alguns secretários do Serra de políticas higienistas. Em uma aliança teríamos que defender a gestão de ambos. Acho complicado para a candidatura do Haddad, que pretende ser uma candidatura de renovação. Neste momento essa aliança não é boa pro PT.
Estadão: O próprio Haddad já usa o discurso da mudança. Há um tom de crítica, de oposição.
Simão Pedro: Acho também que o PT tem tudo, o apoio da figura do presidente Lula, a aceitação da presidente Dilma, cada vez mais crescente. O fato de termos governado São Paulo com marcas muito fortes. A própria candidatura do Haddad, que é uma candidatura nova, que dialoga com amplos setores, juventude, setor médio.
Estadão: É também um cenário de baixa aprovação do prefeito.
Simão Pedro: O desgaste do Kassab, o enfraquecimento da aliança com o PSDB, a figura do Serra muito desgastada, com alta rejeição. É um cenário de uma probabilidade muito grande de o PT voltar ao governo. Há um processo de reorganização da nossa militância, com propostas concretas, um processo de mobilização da população. Nós mostramos que devolvemos esperanças de resgatar a cidade de São Paulo. O caminho de uma aliança com o Kassab nesse momento é o caminho mais fácil, mas não sei se é bom para o processo político que estamos iniciando. ● Pode haver desgaste com a base do PT e a opinião pública? Principalmente com a base do PT, que tem ligações com os movimentos sociais, que mobiliza, que fez oposição, que enfrentou e resistiu a todos os desmandos da administração SerraKassab. Por outro lado, vejo que a prioridade do Kassab é o apoio a uma candidatura do Serra, que não está descartada, embora esteja cada vez mais improvável.
Estadão: O sr. apoiaria uma aliança com Kassab em segundo turno?
Simão Pedro: Segundo turno é diferente. Aí são duas forças políticas que vão se enfrentar e é o momento que elas já discutiram os programas, propostas, se afirmaram, se tornaram conhecidas. Aí um processo de aliança se dá em outras condições. Lógico que flexibiliza algumas coisas do programa, se assume compromissos também, mas em um outro patamar. Não discordo de fazermos aliança com o Kassab num segundo turno, que serve justamente pra isso.
Do O Estado de São Paulo
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1 Comentário
Francisco Cesar Perez (LPTSP)
fevereiro 3, 2012 às 10:45
Prezado companheiro Simão Pedro, o grande desgaste do Kassab e até mesmo o enfraquecimento político da aliança com o PSDB, com a figura do Serra em todas as aparições tem aumentado sobre maneira a rejeição de ambos. O cenário é grande para que o PT volte a triunfar nas fileiras do governo, pois, o processo de reorganização da militância, não conta com o aparelhamento, de união e aliança com o Kassab.
Portanto, se temos que resgatar a cidade, em um projeto que começou lá com a Marta e foi interrompido por uma vacilada do próprio PT e podemos agora dentro de um trabalho uniforme das bases do PT, reconquistar Governo e Prefeitura Paulista, jamais poderemos pensar em uma aliança que denigra a imagem trabalhada nesses últimos anos pelos governantes e militantes do PT.
Companheiros, não coloquemos agora a corda no pescoço, o PT, se bem organizado pode levar esta, um abraço a todos.( F.C.Perez)