SÃO PAULO: 457 ANOS DE INTENSO MOVIMENTO
Sou paranaense de origem, como todos sabem. Mas, a cidade de São Paulo me acolheu por duas vezes e eu decidi viver nela definitivamente tempos depois e o destino me prendeu a ela definitivamente. Eu e minha família chegamos a São Paulo pela primeira vez no final de 1972, quando saímos do Paraná sem nada e viemos nos instalar no Parque Boa Esperança, próximo ao Jardim Iguatemi. Ali, meu pai, carpinteiro, construiu o telhado da Metalúrgica Vulcão. Dois anos depois, frustrado com as dificuldades encontradas, decidiu voltar ao Paraná, mas em 1975 resolver voltar e passamos a morar em Guaianases. Ficamos ali por 3 anos até conseguir, no final de 1979, um apartamento na COHAB Itaquera I – bairro de 73 mil habitantes, número semelhante aos moradores de São Paulo em 1890. Neste bairro vivi por 30 anos. Foi ali que cresci socialmente e politicamente. Em 1985, meus pais resolveram tentar a vida em Rondônia, achando que lá seria um “novo Paraná”. Tomei uma decisão difícil para um filho de família de descendência italiana: contrariando meu pai que queria que eu acompanhasse a família, decidi ficar em São Paulo e aqui tocar minha vida.
Como homenagem aos seus 457 anos de nossa cidade, transcrevo abaixo a letra da música Paulicéia, composta por Wimer Bottura, Delmo e Pablito Morales e gravada pelo grupo “A 4 Vozes” de forma magistral e que, na minha opinião, é um retrato desta imensa megalópole que tanto amamos.
Simão Pedro
PAULICÉIA
Esta é minha cidade, convulsiva e forte
De artérias urbanas e nervos de aço
De riso efusivo e abraço cruel
Neblina é manto de arranha-céu
A natureza concreta contrasta pessoas
Perfeitas formigas no imenso tropel
Efervescente e impulsiva, olhos no futuro
O campo é minado, o tiro é no escuro
O tempo é dinheiro e conduz a existência
Na lira moderna de algum menestrel
Esta é minha cidade, convulsiva e forte
De artérias urbanas e nervos de aço
De riso efusivo e abraço cruel
Neblina é manto de arranha-céu
O Tietê corre nas marginais,
Feito louco inerte dentro da mortalha
Entre mansões, entre favelas ao léu
Trânsito, torres, pontes, beirais
Trens, túneis, neons e sinais
Paulicéia desvairada (Paulista), obelisco, postais
Este amor de cidade é a cidade do meu amor
Onde palpitam nas ruas corações sentimentais
Fulanos, beltranos, sicranos e tantos iguais.
Fulanos, beltranos, sicranos e tantos iguais…
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